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A possibilidade lógica dos zombies contra o materialismo

O materialismo (ou fisicalismo) é a perspetiva de que todos os factos sobre o mundo são físicos, que o mundo é inteiramente composto de factos físicos. Vários filósofos têm procurado refutar esta perspetiva (como Kripke, Chalmers, Plantinga, etc); por exemplo, David Chalmers formulou o seguinte argumento contra o materialismo:

  1. No nosso mundo, há experiências conscientes.
  2. Há um mundo logicamente possível que é fisicamente idêntico ao nosso, em que factos positivos sobre a consciência no nosso mundo não então incluídos.
  3. Assim, factos sobre a consciência são factos adicionais sobre o nosso mundo, além dos factos físicos.
  4. Se o materialismo é verdadeiro, então não há factos adicionais sobre o nosso mundo, além dos factos físicos.
  5. Logo, o materialismo não é verdadeiro.

A premissa (1) está fora de disputa, na medida em que significa que pensamentos, sentimentos, perceções, etc, existem (sem assumir se eles são físicos ou não). A premissa (2) diz que um mundo exatamente como o nosso (que é fisicamente idêntico ao nosso), mas sem consciência, é logicamente possível. Ou seja, nós podemos conceber e descrever um tal mundo sem cair em contradição.

Para a defesa desta premissa (2) Chalmers recorre, entre outros, ao argumento dos zombies. Chalmers define um zombie como ‘alguém ou alguma coisa fisicamente idêntica a mim (ou a qualquer outro ser consciente), mas em que lhe falta completamente experiências conscientes’. Ora, se os zombies são logicamente possíveis, então o mental não sobrevém logicamente sobre o físico e a premissa (2) é verdadeira, i.e., há um mundo possível fisicamente idêntico ao nosso mas sem consciência. Todavia, Chalmers concorda que, com toda a probabilidade, os zombies não são fisicamente possíveis (pois, é muito provável que haja lei naturais que conectem estados físicos e estados mentais pelo que nenhum ser poderia ter a minha exata constituição física e não ser consciente). Charmers concorda então que a consciência sobrevém naturalmente sobre físico. Deste modo, o ponto do Chalmers é apenas que tais conexões não são logicamente necessárias. Por isso, os zombies são logicamente possíveis (isso é uma descrição obviamente coerente e sem contradição) e, assim, a premissa (2) é verdadeira. O passo (3) segue-se das premissas (1) e (2). A partir daí e com a definição de materialismo, presente na premissa (4), pode-se concluir validamente em (5) que o materialismo é falso.

Será este um argumento sólido? Toda a sua solidez parece residir na premissa (2) e na possibilidade lógica dos zombies. Serão então os zombies logicamente possíveis? Além disso, mesmo se eles forem logicamente possíveis (i.e. concebíveis), será que daí se segue que eles são metafisicamente possíveis?  


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